ENTREVISTA COM JOSÉ CARLOS BASTOS

A psicoterapia nasceu ao final do século XIX na Europa com Joseph Breuer e Sigmund Freud. Pregavam a cura através da conversa, um

novo método de tratamento para as disfunções da mente que desafiavam os clínicos da época. Chegaram a dividir algumas pacientes, a

mais conhecida delas sendo Anna O. (um apelido para Bertha Pappenheim, para fins de publicação científica e sigilo médico). Freud

desenvolveu então toda uma teoria envolvendo conceitos como consciente e inconsciente; ID, ego e superego; processo primário e

secundário, repressão, etc. Com isso formulou mais de 20 volumes sobre o assunto, nascendo assim a psicoanálise. Depois de Freud vieram

outros célebres psicoterapeutas como Lacan, Melanie Klein, Adler e Moreno e Wilhelm Reich, entre muitos outros, novos conceitos se

formularam, e hoje a psicoterapia é praticada amplamente em todo o mundo, promovendo inclusive congressos sobre o assunto,

publicando, renovando sempre seus conceitos e suas linhas, conforme a humanidade, a cultura e a sociedade caminha.

Assunto: O que é psicoterapia?

I.S.E. - O que é uma psicoterapia?

J.C.B.: É um tratamento da vida emocional baseado numa relação terapeuta-paciente, que se inicia com uma entrevista inicial, onde o cliente fala de seu estado atual,

sua demanda e quais suas expectativas de mudanças. O terapeuta por sua vez faz uma avalição que resulta em um diagnóstico e projeta o futuro deste processo, que

se chama prognóstico. É feito contrato onde se firma compromissos e aí se inicia o processo.

I.S.E. - Quais os motivos da procura? J.C.B.: Os motivos são vários, apesar das pessoas em sua maioria acharem que o motivo para se procurar um psicólogo é um desequilíbrio mental, por isso se associa facilmente à loucura e ninguém quer ser louco ou aparentar ser.  As pessoas tem buscado a terapia por estarem se sentindo angustiadas, infelizes tanto a nível individual quanto nos relacionamentos, principalmente no casamento. Há muitas reclamações de sintomas como insônia,  depressão, ansiedade, pânico, solidão. Alguns somantizando com grastite, palpitações cardíacas, dores de cabeça, erupções na pele como psoríase, estresse pós-traumático, transtorno obsessivo- compulsivo, transtorno afetivo bipolar. Problemas de relacionamento de casal e alguns casos mais perigosos como tentativa de suicídio. Também há pessoas que querem se conhecer melhor e o  processo não tem esta conotação de que está tratando uma doença, mas a terapia também pode ser vivida de forma preventiva e relaxante para quem precisa de um espaço própria para olhar somente para si. I.S.E. - Por que as pessoas acham que terapia é só para doentes mentais? J.C.B.: Doença mental é muito relativo, o que é loucura para a nossa sociedade pode não ser para outra cultura. Esse estigma se deve a própria história da loucura, na Idade Média, o louco era considerado uma personagem sagrada, porque para a caridade medieval, ele participava dos obscuros poderes da miséria. A partir do século XVII, a miséria é encarada apenas em seu horizonte moral e, assim, se antes o louco era acolhido pela sociedade,  agora ele será excluído, pois ele perturba a ordem do espaço social. Passou a ser tratado quase como um criminoso e os métodos usados eram praticamente torturas. Ele passou a ser desprezado e temido pela sociedade, ninguém queria aparentar como tal pois corria o risco de ser aprisionado e excluído do convívio da sociedade. isto ficou marcado e até hoje a pessoas temem a loucura. Os esquizofrênicos também precisam da psicoterapia para ajudá-los a ter limites e organizar melhor as suas vidas, mas a terapia não se restringe somente aos doentes mentais. I.S.E. - Todos precisam de terapia? J.C.B.: Teoricamente sim, pois todos vivemos em uma sociedade que contraria muito a condição humana e isso ocorre desde o momento em que um indivíduo é concebido, pois uma gestante necessita de tranquilidade para si e para o feto que começa a ser influenciado pelo mundo externo e quando nasce a situação piora com todas imposições que agridem à sensibilidade de uma criança, quero dizer que não somos feitos para nascer dentro de um hospital com todos aquelas luzes, barulhos de instrumentos e pessoas, cherios fortes e distanciamento que o bebê tem de sua mãe, mesmo que por pouco tempo mas prejudicial e ainda as limpezas evasivas e nitrato de prata nos olhos, em nome da prevenção se cria doenças em outros níveis. Durante a vida todos seremos bombardeados com regras e incoerências criadas por pessoas neuróticas. Nossa sociedade esta deixando de ser humana e portanto nossa humanidade esta terrivelmente contaminada e adoecida. A terapia é uma das técnicas que podem ajudar mas certamente há outros meios profissionais, que quando bem indicados poderão ajudar às pessoas. I.S.E. - O que é a terapia reichiana? J.C.B: É uma das modalidades de terapia existentes, foi criada pelo médico-cientista Wilhelm Reich (1896-1957), dissidente do movimento psicanalítico, que criou uma terapia que concilia uma análise psíquica e corporal, entendo que o corpo funciona como uma totalidade. Trabalha-se a expressão emocional como forma de facilitar o acesso ao inconsciente e tem como intuito proporcionar uma mudança estrutural, auxiliando o indivíduo se aproximar mais da sua espontaneidade. O sintomas que o paciente trás são na verdade uma sinalização de que algo não esta funcionando bem na pessoa, que na maioria das vezes é um paradoxo na vida interna do paciente que se expressa em uma vida que é contraditória ao seu verdadeiro eu. O nome cientifico da terapia reichiana é orgonomia. I.S.E. - Quanto tempo dura um processo terapêutico reichiano? Qual a expectativa das pessoas? J.C.B. - Por ter esta característica de trabalhar a pessoa de forma mais abrangente, se torna mais rápido a análise e os resultados, porque o terapeuta reichiano deve estimular a sensibilidade do paciente o tempo todo para que perceba a sua própria condição e através do exercícios que são usados, se viabiliza a uma reação mais saudável. Nem todos se adaptam, mas uma grande parte das pessoas gostam pelo seu dinamismo, até porque muitos reclamam quando vão ao psicólogo e ficam falando sozinho na terapia. As pessoas tem a expectativa de que as coisas ocorram quase num passo de mágica. Apesar da terapia reichiana ser mais acelerada, temos que levar em conta que cada um tem longa história e que sua situação atual é resultado deste trajeto de vida e cada caso tem suas próprias características. Quanto mais cedo ocorreram as repressões que causaram as pertubações atuais mas difícil é o caso. .I.S.E. - Qual a diferença entre psicólogo e psicoterapeuta? J. C. B. - Na verdade um é continuidade do outro, pois para ser psicólogo é necessário uma faculdade de psicologia e para ser um psicoterapeuta é preciso fazer uma formação especializada em uma linha teória-prática, que no meu caso é baseado na teoria de Wilhem Reich. O psicólogo não atua só na área clínica, mas também nas industrias na parte de recrutamento e seleçao, treinamento de pessoal; na área de esporte, atendendo o atleta; na psicologia organizacional, também na industria. Hoje em dia até nos filmes e novelas dando orientação quanto ao perfil psicológico dos personagens. O psicoterapeuta é específico na área clínica e comum aprofundamento teórico. I.S.E. - O que é mais gratificante em seus atendimentos?  J.C.B. - Sem dúvida é quando o cliente se dá conta que tem todo o direito de ser feliz e encontra as melhores formas para ter uma vida de mais  qualidade, de   forma coerente à sua espontaneidade. e-mail: josecarlosdeobastos@gmail.com

ENTREVISTA COM JOSÉ CARLOS BASTOS

A psicoterapia nasceu ao final do século XIX na Europa com Joseph

Breuer e Sigmund Freud. Pregavam a cura através da conversa, um

novo método de tratamento para as disfunções da mente que

desafiavam os clínicos da época. Chegaram a dividir algumas

pacientes, a mais conhecida delas sendo Anna O. (um apelido para

Bertha Pappenheim, para fins de publicação científica e sigilo médico).

Freud desenvolveu então toda uma teoria envolvendo conceitos como

consciente e inconsciente; ID, ego e superego; processo primário e

secundário, repressão, etc. Com isso formulou mais de 20 volumes

sobre o assunto, nascendo assim a psicoanálise. Depois de Freud

vieram outros célebres psicoterapeutas como Lacan, Melanie Klein,

Adler e Moreno e Wilhelm Reich, entre muitos outros, novos conceitos

se formularam, e hoje a psicoterapia é praticada amplamente em todo

o mundo, promovendo inclusive congressos sobre o assunto,

publicando, renovando sempre seus conceitos e suas linhas, conforme

a humanidade, a cultura e a sociedade caminha.

Assunto: O que é psicoterapia?

I.S.E. - O que é uma psicoterapia?

J.C.B.: É um tratamento da vida emocional baseado numa relação

terapeuta-paciente, que se inicia com uma entrevista inicial, onde o

cliente fala de seu estado atual, sua demanda e quais suas

expectativas de mudanças. O terapeuta por sua vez faz uma avalição

que resulta em um diagnóstico e projeta o futuro deste processo, que

se chama prognóstico. É feito contrato onde se firma compromissos e

aí se inicia o processo.

I.S.E. - Quais os motivos da procura? J.C.B.: Os motivos são vários, apesar das pessoas em sua maioria acharem que o motivo para se procurar um psicólogo é um desequilíbrio mental, por isso se associa facilmente à loucura e ninguém quer ser louco ou aparentar ser.  As pessoas tem buscado a terapia por estarem se sentindo angustiadas, infelizes tanto a nível individual quanto nos relacionamentos, principalmente no casamento. Há muitas reclamações de sintomas como insônia,  depressão, ansiedade, pânico, solidão. Alguns somantizando com grastite, palpitações cardíacas, dores de cabeça, erupções na pele como psoríase, estresse pós-traumático, transtorno obsessivo-compulsivo, transtorno afetivo bipolar. Problemas de relacionamento de casal e alguns casos mais perigosos como tentativa de suicídio. Também há pessoas que querem se conhecer melhor e o  processo não tem esta conotação de que está tratando uma doença, mas a terapia também pode ser vivida de forma preventiva e relaxante para quem precisa de um espaço própria para olhar somente para si. I.S.E. - Por que as pessoas acham que terapia é só para doentes mentais? J.C.B.: Doença mental é muito relativo, o que é loucura para a nossa sociedade pode não ser para outra cultura. Esse estigma se deve a própria história da loucura, na Idade Média, o louco era considerado uma personagem sagrada, porque para a caridade medieval, ele participava dos obscuros poderes da miséria. A partir do século XVII, a miséria é encarada apenas em seu horizonte moral e, assim, se antes o louco era acolhido pela sociedade,  agora ele será excluído, pois ele perturba a ordem do espaço social. Passou a ser tratado quase como um criminoso e os métodos usados eram praticamente torturas. Ele passou a ser desprezado e temido pela sociedade, ninguém queria aparentar como tal pois corria o risco de ser aprisionado e excluído do convívio da sociedade. isto ficou marcado e até hoje a pessoas temem a loucura. Os esquizofrênicos também precisam da psicoterapia para ajudá-los a ter limites e organizar melhor as suas vidas, mas a terapia não se restringe somente aos doentes mentais. I.S.E. - Todos precisam de terapia? J.C.B.: Teoricamente sim, pois todos vivemos em uma sociedade que contraria muito a condição humana e isso ocorre desde o momento em que um indivíduo é concebido, pois uma gestante necessita de tranquilidade para si e para o feto que começa a ser influenciado pelo mundo externo e quando nasce a situação piora com todas imposições que agridem à sensibilidade de uma criança, quero dizer que não somos feitos para nascer dentro de um hospital com todos aquelas luzes, barulhos de instrumentos e pessoas, cherios fortes e distanciamento que o bebê tem de sua mãe, mesmo que por pouco tempo mas prejudicial e ainda as limpezas evasivas e nitrato de prata nos olhos, em nome da prevenção se cria doenças em outros níveis. Durante a vida todos seremos bombardeados com regras e incoerências criadas por pessoas neuróticas. Nossa sociedade esta deixando de ser humana e portanto nossa humanidade esta terrivelmente contaminada e adoecida. A terapia é uma das técnicas que podem ajudar mas certamente há outros meios profissionais, que quando bem indicados poderão ajudar às pessoas. I.S.E. - O que é a terapia reichiana? J.C.B: É uma das modalidades de terapia existentes, foi criada pelo médico-cientista Wilhelm Reich (1896-1957), dissidente do movimento psicanalítico, que criou uma terapia que concilia uma análise psíquica e corporal, entendo que o corpo funciona como uma totalidade. Trabalha-se a expressão emocional como forma de facilitar o acesso ao inconsciente e tem como intuito proporcionar uma mudança estrutural, auxiliando o indivíduo se aproximar mais da sua espontaneidade. O sintomas que o paciente trás são na verdade uma sinalização de que algo não esta funcionando bem na pessoa, que na maioria das vezes é um paradoxo na vida interna do paciente que se expressa em uma vida que é contraditória ao seu verdadeiro eu. O nome cientifico da terapia reichiana é orgonomia. I.S.E. - Quanto tempo dura um processo terapêutico reichiano? Qual a expectativa das pessoas? J.C.B. - Por ter esta característica de trabalhar a pessoa de forma mais abrangente, se torna mais rápido a análise e os resultados, porque o terapeuta reichiano deve estimular a sensibilidade do paciente o tempo todo para que perceba a sua própria condição e através do exercícios que são usados, se viabiliza a uma reação mais saudável. Nem todos se adaptam, mas uma grande parte das pessoas gostam pelo seu dinamismo, até porque muitos reclamam quando vão ao psicólogo e ficam falando sozinho na terapia. As pessoas tem a expectativa de que as coisas ocorram quase num passo de mágica. Apesar da terapia reichiana ser mais acelerada, temos que levar em conta que cada um tem longa história e que sua situação atual é resultado deste trajeto de vida e cada caso tem suas próprias características. Quanto mais cedo ocorreram as repressões que causaram as pertubações atuais mas difícil é o caso. I.S.E. - Qual a diferença entre psicólogo e psicoterapeuta? J. C. B. - Na verdade um é continuidade do outro, pois para ser psicólogo é necessário uma faculdade de psicologia e para ser um psicoterapeuta é preciso fazer uma formação especializada em uma linha teória-prática, que no meu caso é baseado na teoria de Wilhem Reich. O psicólogo não atua só na área clínica, mas também nas industrias na parte de recrutamento e seleçao, treinamento de pessoal; na área de esporte, atendendo o atleta; na psicologia organizacional, também na industria. Hoje em dia até nos filmes e novelas dando orientação quanto ao perfil psicológico dos personagens. O psicoterapeuta é específico na área clínica e comum aprofundamento teórico. I.S.E. - O que é mais gratificante em seus atendimentos?  J.C.B. - Sem dúvida é quando o cliente se dá conta que tem todo o direito de ser feliz e encontra as melhores formas para ter uma vida de mais  qualidade, de   forma coerente à sua espontaneidade. e-mail: josecarlosdeobastos@gmail.com
Informativo Saúde Emocional