PESSOAS DURAS COMO AS PEDRAS

Todo organismo vivo responde às agressões do meio ambiente criando invólucros protetores. Por exemplo, a tartaruga tem uma carapaça a protegê-la dos predadores. Em situações de perigo real retrai sua cabeça, patas e cauda para dentro do casco que lhe proporciona a proteção necessária. Quando percebe que a situação de perigo passou e o meio não é mais hostil, libera cabeça, patas e cauda e retoma sua caminhada vida afora. Já os infusórios – protozoários com o corpo todo revestido de cílios simples que servem para locomoção – sob agressão extrema se encolhem e criam uma película resistente e impermeável em torno deles que os defende das agressões, mas, em contrapartida, lhes provoca perda da liberdade de movimentos e assim, encolhidos, eles adotam um ritmo de vida extremamente lentificado. Há nesse enquistamento uma ambiguidade, pois o mesmo sistema que defende o organismo promove a perda de sua liberdade motora. Para se adaptar às exigências sociais e familiares os seres humanos desenvolvem couraças para se proteger. Uma couraça bem adaptada é flexível, cumpre somente a função de proteção e deixa a pessoa livre para usufruir a plenitude da vida – a apreciação de um pôr-do-sol, prazer de viver, alegria no trabalho, criatividade, liberdade de pensamento, relacionamentos saudáveis. Mas se sua função natural de proteção for distorcida a couraça se enrijece e passa a coibir a expressão energética, assim todos os processos da pessoa se tornam lentos, causando-lhe um estado de imobilidade energética que fica demonstrado em dificuldades relacionais, pouca criatividade, numa autopercepção embotada e visão de mundo desvirtuada. BLINDAGEM EMOCIONAL Wilhelm Reich chamava de caráter à soma das vivências de uma pessoa. Para ele as experiências se depositavam em camadas sobrepostas no organismo, assim, conflitos, repressões e frustrações acumuladas formariam traços definidos e que poderiam ser percebidos, por exemplo, no sistema muscular das pessoas sob forma de tensão constante ou doença psicossomática. Queremos dizer com isso que quando a couraça é rígida, cristalizada passa a não ser eficiente em sua função de proteção e nos impede de ter uma percepção clara e lúcida das coisas da vida. ESPARTILHO EMOCIONAL O ideal seria que a couraça do organismo humano funcionasse como a carapaça da tartaruga. Mas, nós não sofremos unicamente violências físicas – muitas agressões são invisíveis e é difícil proteger-se de algo impalpável e, muitas vezes, indizível – assim ocorre conosco um processo semelhante ao enquistamento dos infusórios. Além disso, há a perspectiva sociopolítica e ideológica da couraça rígida, uma espécie de adestramento cultural, isto é, a transmissão de valores anacrônicos, de geração a geração, que não fazem mais sentido nem cumprem nenhuma função benéfica para as pessoas envolvidas.É quando a sociedade deixa de reciclar os modelos de educação e relacionamento interpessoal, as pessoas perpetuam condições de vida repletas de frustrações, renúncias e repressão. Infelizmente, a grande maioria das pessoas vive a partir da cronificação da couraça e não pela experimentação do fluxo energético livre dentro do organismo. A partir desse encouraçamento se formam nossos conceitos acerca do amor, sexo, amizade etc. Foi assim também que desenvolvemos a percepção sobre nós mesmos, sobre os outros e o modo como acreditamos que os outros nos percebem. Se estivermos rigidamente encouraçados confundiremos poder e controle com amor e cuidado com o outro, ou do outro em relação a nós. Confundimos sujeição e conformismo com ser amado e cuidado por alguém ou, ainda, desejarmos que o outro se submeta a nós abrindo mão de sua autonomia. Esse estado de coisas pode ser modificado se dedicarmos algum tempo à flexibilização de nossas couraças, para que, de posse de nós mesmos, possamos viver o aqui-agora, mudar o rumo de nossa história e - retomando nossa corporalidade - refinar funções perceptivas e sensoriais e reaprender com elas e sobre elas. Enfim podemos e merecemos nos flexibilizar através de práticas corporais como os grupos de movimento expressivo. Sueli Nascimento - Analista Reichiana. Psicoterapeuta Breve Carateroanalítica. Pós-graduada em Psicologia Hospitalar - FUNDAP/Instituto de INfectologia "Emílio Ribas", área de concentração: Infectologia. Formação em Psicologia, UMESP - Universidade Metodista de São Paulo. Capacitação em Mediação de Conflitos e Direitos Humanos - ITS. Capacitação em Prevenção ao Uso Abusivo de Drogas - UFSC. Palestrante. Web-articulista. CRP-45139/06.Referência bibliográficaFonte: Dadoun, Roger. 100 Flores para Wilhelm Reich. Leia sobre Terapia Reichiana

PESSOAS DURAS COMO AS PEDRAS

Informativo Saúde Emocional
Todo organismo vivo responde às agressões do meio ambiente criando invólucros protetores. Por exemplo, a tartaruga tem uma carapaça a protegê-la dos predadores. Em situações de perigo real retrai sua cabeça, patas e cauda para dentro do casco que lhe proporciona a proteção necessária. Quando percebe que a situação de perigo passou e o meio não é mais hostil, libera cabeça, patas e cauda e retoma sua caminhada vida afora. Já os infusórios – protozoários com o corpo todo revestido de cílios simples que servem para locomoção – sob agressão extrema se encolhem e criam uma película resistente e impermeável em torno deles que os defende das agressões, mas, em contrapartida, lhes provoca perda da liberdade de movimentos e assim, encolhidos, eles adotam um ritmo de vida extremamente lentificado. Há nesse enquistamento uma ambiguidade, pois o mesmo sistema que defende o organismo promove a perda de sua liberdade motora. Para se adaptar às exigências sociais e familiares os seres humanos desenvolvem couraças para se proteger. Uma couraça bem adaptada é flexível, cumpre somente a função de proteção e deixa a pessoa livre para usufruir a plenitude da vida – a apreciação de um pôr-do-sol, prazer de viver, alegria no trabalho, criatividade, liberdade de pensamento, relacionamentos saudáveis. Mas se sua função natural de proteção for distorcida a couraça se enrijece e passa a coibir a expressão energética, assim todos os processos da pessoa se tornam lentos, causando-lhe um estado de imobilidade energética que fica demonstrado em dificuldades relacionais, pouca criatividade, numa autopercepção embotada e visão de mundo desvirtuada. BLINDAGEM EMOCIONAL Wilhelm Reich chamava de caráter à soma das vivências de uma pessoa. Para ele as experiências se depositavam em camadas sobrepostas no organismo, assim, conflitos, repressões e frustrações acumuladas formariam traços definidos e que poderiam ser percebidos, por exemplo, no sistema muscular das pessoas sob forma de tensão constante ou doença psicossomática. Queremos dizer com isso que quando a couraça é rígida, cristalizada passa a não ser eficiente em sua função de proteção e nos impede de ter uma percepção clara e lúcida das coisas da vida. ESPARTILHO EMOCIONAL O ideal seria que a couraça do organismo humano funcionasse como a carapaça da tartaruga. Mas, nós não sofremos unicamente violências físicas – muitas agressões são invisíveis e é difícil proteger-se de algo impalpável e, muitas vezes, indizível – assim ocorre conosco um processo semelhante ao enquistamento dos infusórios. Além disso, há a perspectiva sociopolítica e ideológica da couraça rígida, uma espécie de adestramento cultural, isto é, a transmissão de valores anacrônicos, de geração a geração, que não fazem mais sentido nem cumprem nenhuma função benéfica para as pessoas envolvidas.É quando a sociedade deixa de reciclar os modelos de educação e relacionamento interpessoal, as pessoas perpetuam condições de vida repletas de frustrações, renúncias e repressão. Infelizmente, a grande maioria das pessoas vive a partir da cronificação da couraça e não pela experimentação do fluxo energético livre dentro do organismo. A partir desse encouraçamento se formam nossos conceitos acerca do amor, sexo, amizade etc. Foi assim também que desenvolvemos a percepção sobre nós mesmos, sobre os outros e o modo como acreditamos que os outros nos percebem. Se estivermos rigidamente encouraçados confundiremos poder e controle com amor e cuidado com o outro, ou do outro em relação a nós. Confundimos sujeição e conformismo com ser amado e cuidado por alguém ou, ainda, desejarmos que o outro se submeta a nós abrindo mão de sua autonomia. Esse estado de coisas pode ser modificado se dedicarmos algum tempo à flexibilização de nossas couraças, para que, de posse de nós mesmos, possamos viver o aqui-agora, mudar o rumo de nossa história e - retomando nossa corporalidade - refinar funções perceptivas e sensoriais e reaprender com elas e sobre elas. Enfim podemos e merecemos nos flexibilizar através de práticas corporais como os grupos de movimento expressivo. _____________________________________________________- _____________________ Sueli Nascimento - Analista Reichiana. Psicoterapeuta Breve Carateroanalítica. Pós-graduada em Psicologia Hospitalar - FUNDAP/Instituto de INfectologia "Emílio Ribas", área de concentração: Infectologia. Formação em Psicologia, UMESP - Universidade Metodista de São Paulo. Capacitação em Mediação de Conflitos e Direitos Humanos - ITS. Capacitação em Prevenção ao Uso Abusivo de Drogas - UFSC. Palestrante. Web-articulista. CRP-45139/06.Referência bibliográficaFonte: Dadoun, Roger. 100 Flores para Wilhelm Reich. Leia sobre Terapia Reichiana