UNIVERSO NET COMO REFÚGIO SEGURO PARA OS ALEIJADOS AFETIVOS

Completamos a primeira década do século XXI, estupefatos e cheio de reflexões e inquietações a respeito do comportamento coletivo. Especificamente, o comportamento desta sociedade com as novas tecnológicas no cotidiano, tem nos causado muita curiosidade, produzindo cada vez mais perguntas que respostas. Ao observarmos pessoas que passam horas ininterruptas acessando a internet, procurarmos entender o comportamento compulsivo e dependente, que mais parece encobrir uma série de dificuldades interpessoais, sendo a ponta do iceberg, de um quadro composto por um conjunto de distúrbios comportamentais. A internet surgiu como uma valiosa ferramenta facilitadora, onde podemos a qualquer hora, não só fazer contato com pessoas do mundo inteiro, como também nos dá imensas outras possibilidades expansivas e criativas. Mas, a maioria dos ditos internautas utiliza (inconscientemente talvez) a rede como uma fuga das imensas dificuldades interpessoais (ou de doenças comportamentais adquiridas no convívio doentio), numa tentativa de compensar a indigência emocional de um cotidiano de pouco significado concreto e existencial. Geralmente, o comportamento compulsivo é não é gerado pela relação com o universo net (instrumento canalizador, apenas), mas, sim por doenças comportamentais e adoecimento da subjetividade, adquiridos na prática interpessoal. Nós estamos no século XXI, nós estamos nos dias de tecnologia avançada, vivemos numa estrutura social autoritária que nos avalia apenas pela nossa capacidade produtiva, ainda temos que ser belos e inteligentes o tempo inteiro para não sermos descartados. E o resultado não poderia ser outro: uma sociedade formada por indivíduos embrutecidos\desumanizados, com imensas dificuldades de expressão, que procuram a todo custo um momento de saciedade narcísica. Existem pessoas que passam uma madrugada inteira fazendo "contatos" na internet, uns até declaram abertamente que preferem a virtualidade ao mundo concreto, com medo que o "sonho" acabe; este tipo de interatividade produz uma imensa expectativa(que geralmente não se concretiza) e êxtase, que fica sempre a se esperar do outro: uma suposta afetividade, acolhimento e atenção. Alguém que reconheça suas singularidades e qualidades...que simplesmente perceba que ela(e) existe. Muitas pessoas com este perfil exposto, estão em tratamento psiquiátrico, pois as mesmas ficam impotentes diante de situações interpessoais cotidianas, apresentando-se como amedrontadas e inseguras. Um dos maiores medos das pessoas na contemporaneidade é o de falar em público, sem contar com a tão incomoda e visível falta de auto-estima. Estes "internautas" só conseguem expor-se, se "entregar", se "abrir", se expressarem diante do computador, diante de um "afeto" virtual. Isso diagnostica uma característica visível da contemporaneidade, que é o da falta de interatividade, frieza, solidão nas multidões e distanciamento pessoal. Que pode inclusive, se manifestar de forma mais patológica ainda, como aqueles que usam o anonimato do universo net, para agredir, insultar e humilhar outras pessoas e grupos (bullying de toda espécie). Um tipo de notícia muito comum nos jornais diários. O grande problema é quando o comportamento compulsivo se caracteriza pela falta de controle das impulsividades e pelo distanciamento das relações sociais concretas, principalmente das relações de interação mais calorosa com gente de carne osso e com afeto. Quando as situações da vida real não geram emotividade ou sensibilização: "a morte não causa mais espanto", diziam os Titãs em uma de suas conhecidas canções de 1989 (Miséria, do excelente disco Oblesq Blom). O mundo mais líquido, com as novas gerações cada vez mais cognitivas e com baixíssima inteligência emocional, os vínculos familiares cada vez mais precários, fazendo com que existam poucas oportunidades de reflexão existencial. Pessoas continuam a encobrir suas imensas dificuldades como o embotamento afetivo, medo de rejeição, baixa auto-estima e que por fim, jamais passariam um final de semana inteiro sem estar conectado ao mundo virtual. Triste realidade!!!  Importante citar o sociólogo francês Jean Baudrillard: "O homem virtual, imóvel diante do computador, faz amor pela tela e faz cursos por teleconferências. Torna-se um deficiente motor, e provavelmente cerebral também. Esse é o preço para que ele se torne operacional. Como se pode prever que os óculos ou as lentes de contato serão um dia a prótese integrada de uma espécie da qual o olhar terá desaparecido, também é de temer que a inteligência artificial e seus suportes técnicos tornem-se a prótese de uma espécie da qual as idéias tenham desaparecido." (A Transparência do Mal.São Paulo: papirus.1990). Anderson Soares Educador e Psicopedagogo. Edita desde 1994 o "Zine Um Grito pela Paz" contato: andssoares@hotmail.com

UNIVERSO NET COMO REFÚGIO

SEGURO PARA OS ALEIJADOS

AFETIVOS

Completamos a primeira década do século XXI, estupefatos e cheio de reflexões e inquietações a respeito do comportamento coletivo. Especificamente, o comportamento desta sociedade com as novas tecnológicas no cotidiano, tem nos causado muita curiosidade, produzindo cada vez mais perguntas que respostas. Ao observarmos pessoas que passam horas ininterruptas acessando a internet, procurarmos entender o comportamento compulsivo e dependente, que mais parece encobrir uma série de dificuldades interpessoais, sendo a ponta do iceberg, de um quadro composto por um conjunto de distúrbios comportamentais. A internet surgiu como uma valiosa ferramenta facilitadora, onde podemos a qualquer hora, não só fazer contato com pessoas do mundo inteiro, como também nos dá imensas outras possibilidades expansivas e criativas. Mas, a maioria dos ditos internautas utiliza (inconscientemente talvez) a rede como uma fuga das imensas dificuldades interpessoais (ou de doenças comportamentais adquiridas no convívio doentio), numa tentativa de compensar a indigência emocional de um cotidiano de pouco significado concreto e existencial. Geralmente, o comportamento compulsivo é não é gerado pela relação com o universo net (instrumento canalizador, apenas), mas, sim por doenças comportamentais e adoecimento da subjetividade, adquiridos na prática interpessoal. Nós estamos no século XXI, nós estamos nos dias de tecnologia avançada, vivemos numa estrutura social autoritária que nos avalia apenas pela nossa capacidade produtiva, ainda temos que ser belos e inteligentes o tempo inteiro para não sermos descartados. E o resultado não poderia ser outro: uma sociedade formada por indivíduos embrutecidos\desumanizados, com imensas dificuldades de expressão, que procuram a todo custo um momento de saciedade narcísica. Existem pessoas que passam uma madrugada inteira fazendo "contatos" na internet, uns até declaram abertamente que preferem a virtualidade ao mundo concreto, com medo que o "sonho" acabe; este tipo de interatividade produz uma imensa expectativa(que geralmente não se concretiza) e êxtase, que fica sempre a se esperar do outro: uma suposta afetividade, acolhimento e atenção. Alguém que reconheça suas singularidades e qualidades...que simplesmente perceba que ela(e) existe. Muitas pessoas com este perfil exposto, estão em tratamento psiquiátrico, pois as mesmas ficam impotentes diante de situações interpessoais cotidianas, apresentando-se como amedrontadas e inseguras. Um dos maiores medos das pessoas na contemporaneidade é o de falar em público, sem contar com a tão incomoda e visível falta de auto-estima. Estes "internautas" só conseguem expor-se, se "entregar", se "abrir", se expressarem diante do computador, diante de um "afeto" virtual. Isso diagnostica uma característica visível da contemporaneidade, que é o da falta de interatividade, frieza, solidão nas multidões e distanciamento pessoal. Que pode inclusive, se manifestar de forma mais patológica ainda, como aqueles que usam o anonimato do universo net, para agredir, insultar e humilhar outras pessoas e grupos (bullying de toda espécie). Um tipo de notícia muito comum nos jornais diários. O grande problema é quando o comportamento compulsivo se caracteriza pela falta de controle das impulsividades e pelo distanciamento das relações sociais concretas, principalmente das relações de interação mais calorosa com gente de carne osso e com afeto. Quando as situações da vida real não geram emotividade ou sensibilização: "a morte não causa mais espanto", diziam os Titãs em uma de suas conhecidas canções de 1989 (Miséria, do excelente disco Oblesq Blom). O mundo mais líquido, com as novas gerações cada vez mais cognitivas e com baixíssima inteligência emocional, os vínculos familiares cada vez mais precários, fazendo com que existam poucas oportunidades de reflexão existencial. Pessoas continuam a encobrir suas imensas dificuldades como o embotamento afetivo, medo de rejeição, baixa auto-estima e que por fim, jamais passariam um final de semana inteiro sem estar conectado ao mundo virtual. Triste realidade!!!  Importante citar o sociólogo francês Jean Baudrillard: "O homem virtual, imóvel diante do computador, faz amor pela tela e faz cursos por teleconferências. Torna-se um deficiente motor, e provavelmente cerebral também. Esse é o preço para que ele se torne operacional. Como se pode prever que os óculos ou as lentes de contato serão um dia a prótese integrada de uma espécie da qual o olhar terá desaparecido, também é de temer que a inteligência artificial e seus suportes técnicos tornem-se a prótese de uma espécie da qual as idéias tenham desaparecido." (A Transparência do Mal.São Paulo: papirus.1990). Anderson Soares Educador e Psicopedagogo. Edita desde 1994 o "Zine Um Grito pela Paz" contato: andssoares@hotmail.com
Informativo Saúde Emocional