VÍNCULOS: As experiências de afeto na infância podem ser determinantes na nossa formação pessoal

Nas investigações mais relevantes sobre o comportamento humano, na contemporaneidade, tem-se construído valiosas reflexões sobre a importância da afetividade nos primeiros e primordiais anos de nossas vidas e formação. Especificamente correntes da Psicologia (freudianos e reichianos, por exemplo) enfatizam a subjetividade e a qualidade dos afetos para o desenvolvimento psicoemocional sadio. Observamos pessoas adultas com imensas dificuldades relacionadas à capacidade de autoafirmação, ao lidar com as emoções e construção de identidade sólida: impotentes afetivos. Com isso, desenvolvem uma precária percepção de si mesmo, transformando-se em cobaias da cultura de massa e de charlatanismos de várias genealogias. Autores como Donald Winnicott e Alexander Lowen (discípulo de Wilhelm Reich) afirmam que a pessoa que foi privada de afeto nos anos primordiais (os 5 primeiros anos) transforma-se num adulto repleto de carências, insatisfações e inseguranças, queixando-se sempre de sensações de incompletude. Ainda, o pior dos resultados: sempre achando que os outros lhe devem afeto e atenção, ou seja, a busca (geralmente em atos inconscientes) por algo que não foi vivenciando naturalmente no instante primordial de seu desenvolvimento emocional. Este reflexo de nossa formação afetiva (sadia ou precária) é facilmente observado quando, em nossa fase adulta, somos solicitados à autoafirmação em situações de interatividade com o nosso semelhante. Nosso histórico emocional é quem nos fornece suporte para termos uma espontânea assertividade, discernimento, autoestima, afeto e coragem no cotidiano; evitando, assim, que sejamos pessoas submissas, autoflageladas, inseguras e vulneráveis à manipulação e dependência em relações em que prevalecem o autoritarismo e a chantagem emocional. Citamos um exemplo esclarecedor: as atitudes de uma mulher diante do universo masculino, dos homens que estão ao seu redor. Entendemos que sua autoafirmação com os mesmos apresenta um vínculo direto com a relação de afeto vivenciada com o primeiro homem de sua vida: seu pai. Tal relação (sadia, prazerosa, ausente, traumatizante ou precária) pode ser determinante na construção de sua percepção, autoestima e conduta como mulher adulta, diante dos homens. Nossa memória sensorial e afetiva (vivências registradas em nossa subjetividade) nos serve de suporte e recurso para nossos atos. Nossa subjetividade recorre, com toda naturalidade, a todas as nossas vivências (positivas e negativas) e experiências emocionais desde a fase intrauterina; por isto as vivências de afeto na infância podem ser determinantes (levando em conta singularidades genéticas, psíquicas e ambientais); exercendo influência em nossas decisões e ações (conscientes ou inconscientes) cotidianas da vida adulta. É importante ressaltar que, para uma formação emocional sadia e uma positiva administração dos afetos em nossa infância, dependemos, fundamentalmente, de cuidadores (pais biológicos ou não) sadios e acolhedores, que verdadeiramente se importam com seus filhos, sabendo lidar de forma espontânea, qualitativa e amorosa com esta etapa de desenvolvimento psíquico e emocional dos mesmos (independente de classe social) A vivência de relações de afeto trágicas, precárias ou traumatizantes na infância comumente resulta em uma vida adulta infeliz, de difícil administração emocional. Isto influencia decisivamente nossas ações e escolhas (geralmente equivocadas) baseadas no suprimento de carências infantis camufladas. Busca-se o preenchimento de um vazio que perdurará para o resto da vida, podendo apenas ser administrado, no caso de aprendermos a administrarmos nossas carências e mazelas, num processo sadio de autoconhecimento. A sociedade autoritária e coisificadora que estimula e produz comportamentos massificados dificulta a afirmação de nossa individualidade. Isto contribui para não estarmos atentos ao nosso histórico pessoal e afetivo, o que nos daria fundamental suporte interno e psíquico. A percepção consciente de que somos resultado de experiências e vivências fará com que nos distanciemos de necessidades artificiais, de sermos cobaias frescas do consumismo doentio e da possibilidade de sermos efetivos cultuadores do vazio.  Anderson Soares Educador e Psicopedagogo. Edita desde 1994 o "Zine Um Grito pela Paz" contato: andssoares@hotmail.com

VÍNCULOS: As experiências de afeto na infância

podem ser determinantes na nossa formação pessoal

Informativo Saúde Emocional
Nas investigações mais relevantes sobre o comportamento humano, na contemporaneidade, tem-se construído valiosas reflexões sobre a importância da afetividade nos primeiros e primordiais anos de nossas vidas e formação. Especificamente correntes da Psicologia (freudianos e reichianos, por exemplo) enfatizam a subjetividade e a qualidade dos afetos para o desenvolvimento psicoemocional sadio. Observamos pessoas adultas com imensas dificuldades relacionadas à capacidade de autoafirmação, ao lidar com as emoções e construção de identidade sólida: impotentes afetivos. Com isso, desenvolvem uma precária percepção de si mesmo, transformando-se em cobaias da cultura de massa e de charlatanismos de várias genealogias. Autores como Donald Winnicott e Alexander Lowen (discípulo de Wilhelm Reich) afirmam que a pessoa que foi privada de afeto nos anos primordiais (os 5 primeiros anos) transforma-se num adulto repleto de carências, insatisfações e inseguranças, queixando-se sempre de sensações de incompletude. Ainda, o pior dos resultados: sempre achando que os outros lhe devem afeto e atenção, ou seja, a busca (geralmente em atos inconscientes) por algo que não foi vivenciando naturalmente no instante primordial de seu desenvolvimento emocional. Este reflexo de nossa formação afetiva (sadia ou precária) é facilmente observado quando, em nossa fase adulta, somos solicitados à autoafirmação em situações de interatividade com o nosso semelhante. Nosso histórico emocional é quem nos fornece suporte para termos uma espontânea assertividade, discernimento, autoestima, afeto e coragem no cotidiano; evitando, assim, que sejamos pessoas submissas, autoflageladas, inseguras e vulneráveis à manipulação e dependência em relações em que prevalecem o autoritarismo e a chantagem emocional. ste reflexo de nossa formação afetiva (sadia ou precária) é facilmente observado quando, em nossa fase adulta, somos solicitados à autoafirmação em situações de interatividade com o nosso semelhante. Nosso histórico emocional é quem nos fornece suporte para termos uma espontânea assertividade, discernimento, autoestima, afeto e coragem no cotidiano; evitando, assim, que sejamos pessoas submissas, autoflageladas, inseguras e vulneráveis à manipulação e dependência em relações em que prevalecem o autoritarismo e a chantagem emocional. Citamos um exemplo esclarecedor: as atitudes de uma mulher diante do universo masculino, dos homens que estão ao seu redor. Entendemos que sua autoafirmação com os mesmos apresenta um vínculo direto com a relação de afeto vivenciada com o primeiro homem de sua vida: seu pai. Tal relação (sadia, prazerosa, ausente, traumatizante ou precária) pode ser determinante na construção de sua percepção, autoestima e conduta como mulher adulta, diante dos homens. Nossa memória sensorial e afetiva (vivências registradas em nossa subjetividade) nos serve de suporte e recurso para nossos atos. Nossa subjetividade recorre, com toda naturalidade, a todas as nossas vivências (positivas e negativas) e experiências emocionais desde a fase intrauterina; por isto as vivências de afeto na infância podem ser determinantes (levando em conta singularidades genéticas, psíquicas e ambientais); exercendo influência em nossas decisões e ações (conscientes ou inconscientes) cotidianas da vida adulta. É importante ressaltar que, para uma formação emocional sadia e uma positiva administração dos afetos em nossa infância, dependemos, fundamentalmente, de cuidadores (pais biológicos ou não) sadios e acolhedores, que verdadeiramente se importam com seus filhos, sabendo lidar de forma espontânea, qualitativa e amorosa com esta etapa de desenvolvimento psíquico e emocional dos mesmos (independente de classe social) A vivência de relações de afeto trágicas, precárias ou traumatizantes na infância comumente resulta em uma vida adulta infeliz, de difícil administração emocional. Isto influencia decisivamente nossas ações e escolhas (geralmente equivocadas) baseadas no suprimento de carências infantis camufladas. Busca- se o preenchimento de um vazio que perdurará para o resto da vida, podendo apenas ser administrado, no caso de aprendermos a administrarmos nossas carências e mazelas, num processo sadio de autoconhecimento. A sociedade autoritária e coisificadora que estimula e produz comportamentos massificados dificulta a afirmação de nossa individualidade. Isto contribui para não estarmos atentos ao nosso histórico pessoal e afetivo, o que nos daria fundamental suporte interno e psíquico. A percepção consciente de que somos resultado de experiências e vivências fará com que nos distanciemos de necessidades artificiais, de sermos cobaias frescas do consumismo doentio e da possibilidade de sermos efetivos cultuadores do vazio.  Anderson Soares Educador e Psicopedagogo. Edita desde 1994 o "Zine Um Grito pela Paz" contato: andssoares@hotmail.com